LUNAR - SOB A LUA, JUREI VINGANÇA
O Sol há de brilhar novamente...
Após aquela noite no Naós da Lua Velada , meu coração ficou despedaçado; minha mente pensava em mil e uma coisas, e nenhuma delas era boa. No meu peito, havia apenas um desejo: vingança. A imagem da Z morrendo na minha frente se repete em looping na minha mente. Aos poucos, minha vida foi voltando ao normal.
Aperfeiçoei as técnicas que aprendi com a lendária Z e continuei minha jornada, desta vez solitário. Viver a minha vida e ver todos ao meu redor glorificarem a Lua e fazerem rituais para ela me enojava. Não existe céu ou inferno nesse mundo. São apenas fantasias. Contos de fadas. Na realidade, lunares que vivem vidas virtuosas e decentes sofrem com tragédias irracionais. Enquanto as pessoas ruins fazem o que querem, elas se divertem e vivem a vida ao máximo.
A ideia de punição divina é uma piada. Pessoas ruins indo para o inferno depois de morrerem? Se os lunares não pensassem assim, as pessoas fracas de espírito não conseguiriam seguir em frente. Eu acredito que... os Lunares são mesmo patéticos. Não enxergam um palmo à sua frente.
Vingar?te?ei, Z. Seu nome não ecoa, mas vibra nas entrelinhas do vilarejo Lunar. Que os atentos o encontrem, pois merecem uma dádiva à altura de seu esforço.
Aqui me despeço de vocês, que estão lendo este pergaminho. Só ouvirão falar de mim quando eu estiver morto ou com a deusa fincada em minha espada.
~ 25 anos se passaram... ~
Chega finalmente o fatídico dia. Anos e anos remoendo uma dor incessante, Hyu parte para a sua tão esperada vingança contra a deusa que tirou a vida de sua sensei. É noite de Lua de Sangue, perfeita para o embate. Com sua espada nas costas, comprida, mas que para ele parecia surpreendentemente leve, e com seus longos cabelos que, de alguma forma, denunciavam sua experiência em batalha, ele avança. Sua aura era indescritível. Era como o sol, nunca se apagava.
O treino com a Senhora Z havia valido a pena, assim como todos os seus ensinamentos. Afinal, ele foi o único aluno dela. Tudo o que Z sabia foi passado para Hyu. A única mulher capaz de travar batalhas contra o ser mais forte do mundo morreu sem revelar todos os seus segredos.
Hyu caminhou até as ruínas. O local estava obstruído por pedregulhos que trancavam a entrada, e o breu tomava conta de tudo. Era assustador. Sem tirar totalmente a espada das costas, ele fez um simples movimento com a mão ao segurar o punho da dela. Em milésimos de segundo, um golpe surgiu à sua frente, dourado como o sol, e todas as pedras que pesavam mais de quinhentos quilos se dissolveram em pó. Ele se apresentava à Lua.
Assim que adentra as ruínas, uma chuva torrencial começa a cair. Trovões e relâmpagos se fazem presentes. Era como se fosse um aviso. Hyu não esboça sequer uma reação. Continua a caminhar calmamente, com os olhos cerrados e fixos apenas no seu objetivo.
Passando pelos pedregulhos das ruínas, ele atravessa uma biblioteca. Pergaminhos e livros estão espalhados pelo chão, mas até aquele momento nada chama sua atenção. O silêncio é pesado, quebrado apenas pelo som sutil da chuva que ainda ecoa lá fora.
Ao observar o ambiente com mais atenção, ele nota uma brecha entre duas prateleiras de livros empoeirados. Sem hesitar, passa entre elas e chega a um depósito esquecido pelo tempo. Diversas louças quebradas e estátuas prateadas, reluzentes como a luz da lua, estão espalhadas pelo chão. O ar ali é mais frio, como se o passado ainda sussurrasse através das paredes.
Um boneco vodu, gasto e manchado é visto. Alguém deve ter sofrido muito. Hyu observa em silêncio. Seus olhos percorrem o local sem pressa, mas sua expressão continua inalterada. Algo dentro dele sente que está cada vez mais próximo.
Ao atravessar o depósito, Hyu encontra uma escada escondida atrás de uma tapeçaria. O caminho leva a um salão esquecido pelo tempo, suspenso em algum ponto entre mundos. Ele não pertence mais à terra, tampouco ao céu. É um santuário perdido nas fendas do universo, onde o silêncio é tão profundo que parece ecoar dentro da própria alma.
O salão é amplo e revestido por pedras ancestrais cobertas de musgo escuro. Flores delicadas, em tons de rosa, crescem entre as frestas das pedras, desafiando o abandono com uma beleza inquietante.
No centro do salão, um símbolo negro em forma de estrela domina o chão. Ao redor dele, ampulhetas gigantes com areia azul reluzente marcam o passar de um tempo que Hyu não compreende. São seis, posicionadas em equilíbrio quase ritualístico. Nenhuma delas parece estar em movimento. Talvez o tempo tenha parado ali, ou talvez jamais tenha começado. Ele estava no Cronos da Noite.
Após alguns minutos naquele local, finalmente o silencio ensurdecedor é quebrado...
RRRRRRRUMMMMBLLLLLE!
Um trovão cai abruptamente à frente de Hyu, iluminando o santuário com um brilho branco e ensurdecedor. O som é devastador. O chão treme levemente sob seus pés. O ar se torna mais denso.
Ali está ele. O Arauto da Lua, Oráculo de sua era.
Vestes longas, ornamentos que brilham sob a luz das ampulhetas e olhos que parecem ver através da alma. A presença dele não é humana, tampouco divina. Os dois discípulos se encontram.
De um lado, Hyu, herdeiro do legado da maior humana já existente, moldado pela dor, lapidado pelo sacrifício . Do outro, O Arauto, a voz e o executor da Deusa, moldado pela fé cega e guiado pelos sussurros de um poder absoluto que reina sobre todos os mundos. Os olhos de Hyu permanecem firmes, cerrados em direção ao seu destino. Ele não fala. O Arauto da Lua também não. Ainda não.
(...)
Hyu: Quem é você e por que está na minha frente? Meu destino é o Náos da Lua Velada.
Oráculo Lunar VII: Ah, você é o resíduo, o eco de uma tragédia. Sou o arauto da Mãe, o Oráculo Lunar VII. Não permitirei sua passagem. A ordem é daquela que sustenta todos os mundos.
Hyu: Tragédia? Do que você está falando? Ruf... acho que vou te matar aqui mesmo.
Oráculo Lunar VII: Que incisivo. É sempre assim com o pequeno fardo da carne. Venha, A Mãe julgará sua inadequação.
(...)
A batalha começa. Diferente de sua sensei, Hyu utiliza técnicas solares aprendidas através de pergaminhos antigos. Finalmente, ele desembainha a sua espada e a aponta para o oráculo. Partindo para cima dele, tenta um golpe fatal na cabeça, mas a aura do oráculo o impede quase que instantaneamente. Zyu então tenta novamente, dessa vez um chute, de baixo para cima. O Oráculo recua, mas, com o poder do teleporte, Hyu aparece por trás e parte o seu braço com um corte seco.
O Oráculo Lunar, por sua vez, mantém a calma perturbadora. Seus olhos não expressam dor, apenas um desapontamento sereno.
(...)
Oráculo Lunar VII: Eu reconheço essa pequena fúria em você, criança. Você é um remanescente, o resíduo da Separação, não é? A morte dos seus pais ainda perturba você.
Oráculo Lunar VII: Ah... Sim... o sacrifício deles ainda te atormenta... *ugh*.
O Oráculo tenta estancar, com a mão, o sangue que jorra do braço decepado.
Oráculo Lunar VII: Eu conheci os seus pais, mas e u não os matei. Eu os purifiquei. Seus pais se tornaram Separatistas, Hyu. Eles colocaram seu desejo profano acima do Círculo da Mãe. Eram mácula, e a Mácula precisa ser contida.
Hyu está imóvel. Seu corpo não esboça reação, por mais que ele tente.
Oráculo Lunar VII: O que você veio buscar? Vingança? Ou talvez uma oportunidade, como a que dei a eles?
Hyu: MENTIROSO!!! CALE A BOCA!!!!!!!!!!!!
Oráculo Lunar VII: MENTIRA? Sou a Voz que não mente. Eu os conduzi ao Fardo deles. No dia da Purificação, eles foram executados para alimentar a Carga Anímica que sela o Livro dos Separatistas. Foi uma Graça: a vida medíocre deles ganhou um propósito eterno na disciplina da Mãe, e um dia, em Santuário, quando A Mãe aliviar a carga do livro, as almas se dissolverão para se tornarem a sua própria luz fria. Um propósito de Glória imensurável.
Hyu: EU VOU FAZÊ?LO CALAR ESSA BOCA!!!
Oráculo Lunar VII: Eu testemunhei os seus últimos momentos. Eles imploraram à Mãe, não por suas vidas, mas pela sua. E A Mãe, em Sua Piedade, aceitou o acordo. Não jogue fora a chance que A Mãe te deu.
Hyu: EU. VOU. TE. MAAAAAAATARRRRRRRR!!!!!!!!!
(...)
Chorando, Hyu parte para cima, enfurecido, cego de ódio, desferindo golpes de espada sem nenhuma coordenação.
O Oráculo desviava cada golpe como se fossem brisas, leve como uma pena, até reaparecer atrás de Hyu, perto o suficiente para sussurrar no seu ouvido: “Sua dor é um desperdício. Aceite o Silêncio.”
Antes que Hyu pudesse reagir, a mão do oráculo perfurou o peito. Não houve defesa; a chuva misturou-se ao sangue e às lágrimas.
(...)
Oráculo Lunar VII: Diga suas últimas palavras.
Hyu, entre soluços: Me desculpe, lendária Z... não sou tão forte quanto você... e vo?vo?você... oráculo...
Oráculo Lunar VII: Fale a verdade, criança. Sua falha é um julgamento.
Hyu, trêmulo: Se ele existir, queime no fogo do inferno.
(...)
Todo o poder concentrado no corpo de Hyu foi liberado como uma erupção solar. Ele se explodiu junto com o Oráculo, fazendo o templo estremecer; pedras caíram ao chão, relâmpagos e trovões se intensificaram, e a neblina subiu... ambos estão mortos.
Continua...
Alterações da campanha podem ser acompanhadas pelos perfis do X/Twitter: @ThBlack0ut ou @ShokinhoLaint _